De um lado, uma farmacêutica dinamarquesa que quer virar a empresa de saúde mais movida a IA do mundo. Do outro, a empresa por trás do Claude. No dia 16 de setembro, as duas anunciaram uma parceria pra tentar encurtar a distância entre "descobrir um remédio" e "esse remédio chegar de fato na prateleira da farmácia".

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A Novo Nordisk vai usar os modelos mais avançados da Anthropic e testar, em caráter beta, uma ferramenta chamada Claude Science em fluxos de pesquisa e desenvolvimento específicos -- escolhidos pelos próprios times científicos e computacionais da empresa, que primeiro listaram os principais gargalos do processo de descoberta de remédios. A ideia é atacar exatamente esses pontos, não trocar o processo inteiro de uma vez. Além disso, a farmacêutica também vai usar os modelos da Anthropic pra fortalecer o desenvolvimento de software dentro de casa.

O que o Claude Science faz de diferente

Lançado em beta em 30 de junho de 2026, o Claude Science roda dentro dos planos comuns do Claude, só que com ferramentas científicas extras. Ele tem um agente "coordenador" com acesso a mais de 60 habilidades específicas pra genômica, proteômica, biologia estrutural e química computacional, e um segundo agente que funciona como revisor -- conferindo citações e cálculos antes de qualquer coisa ser considerada pronta. Todo o histórico de operações fica registrado e auditável.

A ferramenta também se conecta a mais de 60 bancos de dados científicos e incorpora habilidades do BioNeMo Agent Toolkit, da NVIDIA, com acesso a modelos especializados como Evo 2, Boltz-2 e OpenFold3. Ou seja: não é um chatbot genérico respondendo pergunta de biologia -- é um conjunto de ferramentas conectadas direto às bases que pesquisadores de verdade usam.

De dez semanas pra dez minutos

Essa não é a primeira vez que a Novo Nordisk aposta em IA da Anthropic. A empresa já tinha desenvolvido o NovoScribe, uma plataforma de documentação que roda o Claude Code sobre a Amazon Bedrock. Segundo a farmacêutica, o NovoScribe reduziu o tempo de documentação de estudos clínicos de dez semanas pra dez minutos, e cortou em 95% os recursos necessários pra protocolos de verificação de dispositivo. Waheed Jowiya, diretor de estratégia de digitalização da empresa, credita ao Claude uma redução de 90% no tempo de escrever relatórios de estudos clínicos.

Os executivos das duas empresas falaram em termos ambiciosos. Mike Doustdar, presidente e CEO da Novo Nordisk, disse que a IA pode "aumentar a produtividade em pesquisa e desenvolvimento, encurtando o caminho da pesquisa até o produto no mercado". Já Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi além: segundo ele, a capacidade crescente da IA tem o potencial de comprimir um século de descobertas biológicas e médicas numa única década.

É uma previsão -- não uma garantia --, mas dá pra entender o tamanho da aposta: se um pedaço relevante da pesquisa farmacêutica realmente passar a rodar nesse ritmo, o gargalo deixa de ser "quanto tempo leva pra testar uma hipótese" e vira "quantas hipóteses dá pra testar ao mesmo tempo".

Supervisão continua sendo humana

A parceria foi desenhada, segundo o anúncio, com "governança de dados robusta e supervisão humana", pra manter o uso alinhado a padrões éticos e regras de compliance -- relevante quando o assunto é pesquisa médica, onde um erro não fica só no relatório, pode acabar afetando decisão sobre tratamento.