A May Mobility diz que, quando a fusão fechar, será a primeira empresa de capital aberto nos Estados Unidos dedicada inteiramente a carro autônomo que carrega passageiro — o que a separaria de outras listadas que trabalham com autonomia, como a Tesla, a Alphabet (dona da Waymo) e a Aurora. O caminho até lá é uma fusão de US$ 1,4 bilhão com a ACP Holdings Acquisition Corp., uma SPAC ligada à gestora Atlas Credit Partners, de Houston. SPAC é a sigla em inglês pra uma empresa criada só pra levantar dinheiro na bolsa e depois se fundir com outra.

Na prática, a fusão pode trazer mais de US$ 300 milhões em caixa novo pra empresa: até US$ 120 milhões vêm de uma rodada de investimento privado em ações públicas, e outros US$ 217 milhões poderiam sair da conta fiduciária da SPAC — esse segundo valor pode encolher se acionistas decidirem resgatar suas cotas antes da fusão fechar.

Um robotáxi que não é dono dos carros

Fundada em 2017, a May Mobility roda num modelo que ela mesma chama de "asset-light": em vez de comprar e manter a própria frota, a empresa vende os veículos autônomos pra parceiros de frota e fica só com a parte de supervisão remota e atualização de software, cobrando taxa fixa ou por corrida.

Hoje a operação roda em cima de Toyota Siennas autônomas em três lugares dos Estados Unidos: uma parceria com a Lyft em Atlanta, e serviços em Eden Prairie e Grand Rapids, ambas em Minnesota. No ano passado a empresa faturou cerca de US$ 10 milhões — e queimou US$ 93 milhões em caixa no mesmo período, o que dá uma ideia de quão cara ainda é a fase de expansão desse tipo de negócio.

Mais de meio milhão de corridas já rodadas

Já são mais de 550 mil corridas pagas concluídas, somando mais de 1 milhão de milhas rodadas. A empresa também testou uma operação piloto no Japão e tem lançamento comercial marcado pra Arlington, no Texas, em parceria com a Uber, previsto pro fim de 2026 ou começo de 2027.

Pra onde vai o dinheiro da fusão

Segundo a empresa, o valor arrecadado vai pra três frentes: pesquisa e desenvolvimento — com foco especial em tirar de vez o motorista de segurança do banco do carro —, investimento na cadeia de fornecedores pra baratear a fabricação dos veículos, e expansão geográfica, com novos anúncios prometidos ainda pra 2026.

Concorrentes de capital aberto como Tesla, Rivian, a Waymo (da Alphabet), Aurora e Kodiak até fazem parte da mesma conversa sobre direção autônoma — só que, segundo a May Mobility, nenhuma delas se dedica inteiramente a levar passageiro em carro autônomo. Nesse recorte específico, bem mais estreito, a empresa diz que vai correr sozinha.