A Groenlândia e a Antártida perderam, juntas, 11,3 trilhões de toneladas de gelo entre 1979 e 2023, segundo o IMBIE, uma colaboração internacional de cientistas polares. O estudo saiu na revista Scientific Data em 16 de setembro de 2026, e a Phys.org noticiou o resultado em 20 de setembro de 2026. A manchete da Phys.org fala em 47 anos; o período medido pelo estudo, segundo a ESA, vai de 1979 a 2023.
Pra dar a dimensão, a Phys.org compara: esse gelo daria pra cobrir os Estados Unidos continentais com uma camada de 1,5 metro. Segundo os autores, ele elevou o nível do mar global em 3,14 centímetros. As duas calotas já respondem por cerca de um quarto da alta do nível do mar, diz o comunicado da Universidade de Northumbria, no Reino Unido.
De onde veio essa perda? Segundo o comunicado, 84% dela vieram de geleiras que aceleraram e despejaram mais gelo no oceano; só 16% foi derretimento na superfície. A líder do estudo atribui a tendência de longo prazo a um oceano em aquecimento e diz que perdas assim podem disparar pontos de virada.
Segundo a ESA, a perda anual da Groenlândia subiu de cerca de 60 bilhões de toneladas nos anos 1980 pra 264 bilhões nos anos 2010. A da Antártida foi de cerca de 48 bilhões pra 202 bilhões no mesmo intervalo.
Segundo um dos coautores, fundador do IMBIE, pouco mais de três centímetros de alta já colocam de 6 a 9 milhões de pessoas a mais sob risco de inundação costeira e erosão. Ele diz também que o gelo responde ao aquecimento com décadas de atraso e deve continuar perdendo massa por décadas, mesmo que o planeta pare de esquentar.
O que ainda falta saber
Entre 2020 e 2023, a perda deu uma desacelerada. Segundo o comunicado, nevascas recordes na Antártida Oriental compensaram parte do gelo perdido no resto do continente, e verões mais amenos na Groenlândia cortaram o derretimento da superfície quase pela metade. Os pesquisadores falam em oscilações de curto prazo, não em reversão. O estudo termina em 2023, mas a líder dele diz, segundo a Phys.org, que medições posteriores mostram a aceleração de volta.
O maior ponto de interrogação é o futuro. Segundo o comunicado, a resposta das calotas ao aquecimento é a maior fonte de incerteza nas projeções do nível do mar: as estimativas mais altas até 2150 aumentam por um fator de 2,6 quando entra na conta o risco de instabilidade do gelo.
O IMBIE, apoiado pela ESA e pela NASA, reúne e concilia medições de satélites diferentes. Desta vez foram 27 missões, incluindo as primeiras do Landsat, o que permitiu recuar até 1972 na Groenlândia e até 1979 na Antártida. O artigo, Mass balance of the Greenland and Antarctic ice sheets from the 1970s to 2023, é da Scientific Data.
