A Arm Holdings, empresa britânica de Cambridge, lançou o Arm Total Design for Physical AI. É um programa que reúne mais de 80 empresas de IA física, em todas as camadas da tecnologia. Junto, a Arm apresentou o Robotics Capability Framework, uma escala para classificar robôs. Segundo a empresa, ela é um ponto de partida para uma linguagem comum sobre o que os robôs sabem fazer.

Entre os membros já estão AWS, ECARX, Hugging Face, Liquid AI, NXP, PlusAI, Psyonic, QNX, Qwen, Siemens e Unitree Robotics, entre outros. O anúncio foi noticiado pelo The Robot Report em 17 de setembro de 2026.

Peças de muitas empresas

Segundo o The Robot Report, a robótica é uma indústria fragmentada, que junta gente de muitas áreas e setores. Um único sistema pronto pode ter hardware e software de várias empresas. A Arm diz que quer ajudar a aliviar as dificuldades que vêm disso, e que viu esse problema de perto.

Dermot O'Driscoll é vice-presidente de go-to-market e de soluções para clientes de IA física na Arm. Go-to-market é a área que leva o produto ao mercado. Segundo ele, muita gente queria criar soluções na arquitetura da Arm, mas tinha dificuldade para fechar parcerias ou conseguir o apoio de outras empresas.

O'Driscoll passou para a área de IA física em março. Ali, diz ele, notou a mesma lacuna que a Arm já tinha visto no setor de nuvem, onde montou uma comunidade parecida. “Não havia um lugar onde as empresas pudessem se reunir e trocar tecnologia e ideias, ou colaborar”, disse.

O que o programa junta

O programa reúne conhecimento em software, modelos de IA, sensores, hardware de computação, plataformas virtuais e gêmeos digitais. Gêmeo digital é a cópia virtual de uma máquina. Segundo a Arm, o objetivo é permitir que as empresas desenvolvam e validem mais cedo sistemas que funcionam juntos.

Na explicação de O'Driscoll, a Arm põe na base a sua propriedade intelectual e a sua tecnologia, e os parceiros trazem as deles. Para ele, o setor precisa de “um ponto de coerência” onde as empresas se encontrem. O programa vai, nas palavras dele, dos fabricantes de chips às empresas de nuvem, de sensores e de software, até empresas de robótica e clientes finais.

Seis níveis, de zero a cinco

A outra metade do anúncio é a escala. Ela define níveis de sofisticação crescente para sistemas robóticos. “Os robôs estão sendo usados e se espalhando, mas a forma como falamos deles e os definimos é um pouco fragmentada”, disse O'Driscoll.

Para começar, a Arm definiu seis níveis, de zero a cinco. Num extremo estão robôs que reagem a estímulos e cumprem comandos, mas seguem regras fixas. No outro, robôs com comportamento que evolui, aprende e se otimiza sozinho. A empresa diz que quer ouvir o setor e está aberta a ajustar os níveis.

Segundo O'Driscoll, os seis níveis iniciais são os tipos de robô que já estão em uso em vários lugares. Eles também mostrariam para onde as empresas estão levando o setor. “Estamos convidando as pessoas a trabalhar com a gente nisso”, disse. Para ele, é algo que funciona melhor feito em comunidade.

A lição dos carros

A escala se inspira nos níveis de direção autônoma da SAE International. A Arm tem uma longa história no setor automotivo. Segundo O'Driscoll, todo veículo em circulação faz parte ou toda a sua computação num chip da Arm.

Dessa experiência, a empresa viu que fabricantes de robôs e de carros precisam de coisas parecidas. Entre elas estão segurança crítica, computação em tempo real e visão computacional, a capacidade de a máquina interpretar imagens. “A robótica é mais complexa e, por isso, é uma escala de mais dimensões”, disse O'Driscoll. Foi isso, segundo ele, que abriu espaço para organizar um pouco mais o setor.

Ele diz também que empresas do setor automotivo estão vendo essa sobreposição e querem entrar na robótica. Segundo ele, muitas delas perceberam que a tecnologia criada para os carros também pode ser usada em robôs. Por isso, a Arm conseguiu se conectar rápido com parceiros que já tinha.

Os próximos passos

Segundo O'Driscoll, o programa e a escala andam juntos. O programa quer facilitar a criação de aplicações de robótica, e a escala quer facilitar a hora de colocar essa tecnologia em uso. O próximo passo, diz ele, é reunir as empresas em encontros onde possam colaborar.

A Arm diz que quer continuar a crescer a comunidade. A empresa planeja começar a fazer sessões com os membros nos meses seguintes ao anúncio. Empresas interessadas podem pedir para entrar no programa. O'Driscoll vai liderar uma sessão sobre IA física no RoboBusiness 2026, marcado para 20 e 21 de outubro em Santa Clara, na Califórnia.

Para O'Driscoll, a linguagem comum vai acelerar a adoção de robôs, conforme as pessoas descobrirem onde eles podem ser usados. Segundo ele, a escala também pode ajudar quem está dentro e fora do setor a entender melhor os robôs.

Ele diz ainda que fazer parte de um grupo que ajuda a definir e garantir que as soluções dentro de um robô funcionem juntas traz benefício técnico e comercial. E afirma que é importante a Arm dar benefícios reais aos membros logo, e não mais tarde.