No dia 16, em pleno Decoded Summit do POLITICO, em Washington, Sarah Heck subiu ao palco e disse uma frase que resume bem o momento da indústria de IA nos Estados Unidos: empresa nenhuma deveria ser fiscal de si mesma.

Heck é a chefe de política pública da Anthropic e foi direta sobre o modelo de autorregulação que boa parte da liderança republicana no Congresso americano tem defendido até aqui. "Não acho que existe um mundo em que você faz segurança e as pessoas aceitam que empresas de IA façam isso por código de honra. A gente não pode ficar corrigindo a própria prova", disse.

A frase é sobre confiar decisões de segurança justamente a quem tem interesse comercial direto no resultado — e Heck deixou claro que, na visão da Anthropic, isso não é suficiente quando o risco em jogo é chamado, sem rodeios, de existencial.

Liderar sem abrir mão de segurança

Heck também tocou num argumento que costuma aparecer em debates sobre regulação de IA nos EUA: o medo de perder terreno para a China. "Os Estados Unidos precisam continuar na liderança em IA, e você não faz segurança a partir do segundo lugar", afirmou.

Segundo o POLITICO, a fala defendeu o controle da venda de chips de IA para a China e repetiu um argumento que o presidente Donald Trump e seus assessores costumam usar: o país não consegue tornar a IA mais segura se ficar atrás na corrida.

O que está na mesa no Congresso

Um dos temas mais concretos do momento é o FRONTIER Act, projeto dos deputados Jay Obernolte (republicano da Califórnia) e Lori Trahan (democrata de Massachusetts), que prevê avaliadores externos atuando de dentro das principais empresas de IA. Heck não confirmou apoio imediato ao texto como está, mas disse que a Anthropic é a favor de supervisão feita por terceiros, de forma geral.

A fala também chega logo depois do ensaio "We Must Pace the Frontier", publicado pelo CEO da Anthropic, Dario Amodei, propondo que a própria indústria desacelere o ritmo de novas capacidades pra deixar a prevenção de riscos andar junto — não atrás.

Nem todo mundo no Congresso acha que isso é suficiente. O deputado Greg Casar (democrata do Texas), que preside o Congressional Progressive Caucus, pediu que a Anthropic pause o desenvolvimento dos modelos mais avançados que a empresa tem hoje.