Os quatro tripulantes da Artemis II viram pequenos clarões de luz na superfície da Lua, produzidos pelo impacto de meteoros contra o solo. O relato está no relatório científico preliminar da missão, divulgado pela NASA. Segundo o Universe Today, esses clarões foram provavelmente os mais fracos já vistos a olho nu. Pelo brilho, os cientistas estimam que as rochas tinham no máximo 5 centímetros de diâmetro.
A Lua não tem atmosfera, então os meteoros não queimam no caminho e atingem o solo com frequência. Mesmo pequenos, chegam tão rápido que liberam energia suficiente para ser vista do espaço. O choque derrete trechos do terreno e levanta nuvens de regolito, a camada de poeira e rocha solta que cobre a Lua.
Astronautas das missões Apollo já tinham visto clarões assim da órbita, e a Artemis II foi a primeira tripulação a vê-los desde então. Os cientistas lunares tinham pedido que a tripulação aproveitasse o eclipse total do Sol, de quase uma hora. Os clarões coincidiram com uma perda de contato prevista, quando a nave Orion, chamada Integrity, entrou na sombra da Lua. Depois, a tripulação enviou o vídeo gravado à equipe de ciência lunar do Centro Espacial Johnson, em Houston.
Esses registros diretos formam um conjunto raro de dados, que vai ajudar os cientistas a delimitar com que frequência os impactos acontecem. Segundo o Universe Today, a informação é essencial para o objetivo de longo prazo do programa Artemis: montar habitats na superfície lunar. Além de blindagem contra radiação e proteção contra o vácuo, tripulações, veículos, módulos de pouso e naves de subida vão precisar de defesa contra meteoros e contra a poeira que eles levantam.
O eclipse aconteceu em 6 de abril de 2026, no sobrevoo da Lua. Da posição da nave, a Lua cobriu o Sol por completo durante 54 minutos, muito mais do que dura um eclipse visto da Terra.
Assim, a tripulação acompanhou por quase uma hora a forma e a estrutura da coroa, a camada externa da atmosfera do Sol, que move o clima espacial. Segundo o Universe Today, na Terra ela costuma aparecer só em eclipses curtos e com instrumentos científicos.
Com o Sol escondido, também ficou visível a luz zodiacal, o brilho suave refletido pela poeira entre os planetas. Marte, Saturno, galáxias e a Via Láctea apareceram sem poluição luminosa. O astronauta canadense Jeremy Hansen contou que, no espaço, as estrelas têm uma profundidade que não se vê da Terra e parecem mais perto ou mais longe conforme o brilho.
No lado oculto da Lua, o foco foi a cor. Amostras trazidas de lá pela missão chinesa Chang'e-6 mostraram que os dois hemisférios da Lua têm histórias geológicas diferentes. A tripulação relatou tons sutis de cinza, preto, marrom, bege, branco, verde e azul, que refletem a composição de cada região.
O azul corresponde a rochas vulcânicas ricas em titânio, o marrom a rochas ricas em ferro, e o verde a vidro vulcânico ou a solo derretido por impacto. As fotos feitas com câmeras de mão podem ser comparadas com dados do orbitador lunar LRO, da NASA. Em missões futuras, essa leitura de cores também poderia ajudar astronautas a achar locais com recursos para mineração.
A equipe científica pediu ainda atenção ao terminador, a linha que separa o dia da noite na Lua. Ali o crepúsculo é constante, e a luz baixa projeta sombras longas que realçam o relevo. As condições lembram as da bacia Polo Sul-Aitken, onde NASA, China e outras agências planejam erguer seus habitats lunares.
Na borda iluminada da Lua, crateras fundas e picos altos ficaram nítidos, sobretudo durante o eclipse, com o Sol por trás. O piloto Victor Glover descreveu ilhas de terreno cercadas de escuridão, o que, para ele, indica uma variação real no relevo.
Segundo o Universe Today, esses resultados já ajudam a NASA a preparar os próximos passos. A Artemis III, prevista para 2027, deve levar uma Orion tripulada à órbita, para encontrar um módulo de pouso e treinar a passagem da tripulação. A Artemis IV, prevista para 2028, deve levar quatro astronautas à superfície, a primeira vez em mais de 50 anos.
A missão decolou em 1º de abril de 2026, no foguete SLS da NASA, e durou 9 dias, 1 hora e 32 minutos. No segundo dia, a tripulação fotografou a Terra iluminada pela luz da Lua, e não do Sol.
A imagem registrou sistemas de tempo ativos, auroras nos dois polos, camadas da atmosfera, uma nuvem de poeira do Saara e luzes de cidades. Christina Koch, especialista da missão, resumiu o planeta como "azul elétrico". Os satélites de observação da Terra são essenciais para a ciência, mas enxergam o planeta em faixas, sem essa visão do todo.
