A AWS lançou um conjunto de ferramentas de código aberto que reúne seus serviços e programas da NVIDIA num só fluxo para desenvolver robôs com inteligência artificial. Segundo a Engineering.com, a aposta da empresa é oferecer arquiteturas de referência, e não só capacidade de computação. Sri Elaprolu, diretor de Ciência e Engenharia de IA de Fronteira da AWS, disse ao The Robot Report que a ideia é tirar a infraestrutura do caminho das equipes.

Elaprolu contou que o conjunto traz lições das operações de robôs da própria Amazon, que hoje somam mais de 1 milhão de máquinas. Ele não substitui diretamente o RoboMaker, a plataforma de simulação de robôs na nuvem desativada em 2025. Segundo Elaprolu, o RoboMaker era só uma das peças, e o novo conjunto reúne mais tecnologias.

Elaprolu afirmou que treinar esses sistemas exige muito dado e que há pouco disponível, ao contrário dos modelos de linguagem, que contam com uma enorme quantidade de dados na internet. Ele disse que gerar dados sintéticos, feitos por computador, que representem o mundo real é uma das coisas que a AWS tenta resolver.

O fluxo tem cinco etapas: gerar dados sintéticos, treinar o modelo, testá-lo em simulação, instalá-lo no próprio robô e melhorá-lo com o que o robô coleta em campo. A AWS usa o SageMaker para o treino e o IoT Greengrass para levar os modelos aos aparelhos. As empresas podem usar cada peça sozinha ou juntar todas.

A NVIDIA entra com o Isaac Sim, para simulação, o Isaac GR00T, para treinar robôs humanoides, e o Cosmos, para gerar dados sintéticos, segundo a Engineering.com. O conjunto também incorpora tecnologias e formatos de desenvolvimento como o PyTorch, o Hugging Face e o ROS 2 (Robot Operating System 2). Um dos exemplos da AWS usa o GR00T e 27 sessões de um robô UR3 guiado à distância, pegando e colocando objetos.

Segundo a Engineering.com, a AWS diz que a tecnologia teria mais impacto em setores como logística, energia, saúde, mineração e agricultura. Elaprolu citou a sul-coreana RLWRLD, que desenvolve o sentido do tato para mãos de robôs humanoides. Segundo ele, os modelos que existiam não davam conta de certas tarefas com cinco dedos. E a AWS e a empresa criaram um modelo especializado. Ele também citou a Bedrock Robotics, que treina na nuvem da AWS modelos para robôs de construção autônomos.

Segundo Elaprolu, à medida que os robôs se espalham, o que eles aprendem no local precisa voltar à nuvem, para que o cérebro da máquina seja aprimorado continuamente. Elaprolu citou a japonesa Telexistence, que, segundo ele, já instalou mais de 300 humanoides em lojas de conveniência. E mais são esperados. Segundo o The Robot Report, uma loja, diferente de uma fábrica controlada, traz mais imprevistos e exige que o robô reaja rápido.

O conjunto não exige um modelo específico de robô. Elaprolu disse que haverá muitos tipos de máquina e que o conjunto fica neutro de propósito em relação a esse passo final. A Amazon diz que as ferramentas foram feitas para ajudar fabricantes a lançar recursos de IA em robôs em semanas. E não nos anos que, segundo a empresa, levaria montar a infraestrutura do zero. A Engineering.com ressalta que esse prazo é uma expectativa da empresa, sem verificação independente.