Um meteorito caiu há cerca de 370 milhões de anos onde hoje fica a cidade de Ames, em Oklahoma, nos Estados Unidos. É quase 100 milhões de anos depois do que se pensava, segundo pesquisadores da Universidade do Texas em Austin. A nova data põe o impacto perto de uma extinção em massa que, de acordo com a universidade, eliminou uma enorme parcela da vida marinha.

Essa extinção, chamada de Frasniano-Fameniano, ocorreu há cerca de 372 milhões de anos, no fim do período Devoniano. O estudo saiu em julho de 2026 na revista Meteoritics & Planetary Science, com acesso aberto. A idade aceita até então, de 467 milhões de anos, punha a cratera no período Ordoviciano.

Essa idade antiga vinha de fósseis. Na rocha do local havia dentes de conodontes, animais parecidos com enguias que viveram no Ordoviciano. A autora principal do estudo é Elizabeth Catlos, professora associada da Escola Jackson de Geociências da universidade. Para ela, os dentes provavelmente já tinham milhões de anos quando o asteroide caiu e foram revirados no impacto.

Catlos disse, por e-mail, que não questiona a identificação dos fósseis. “A questão é se eles continuam na posição original nas camadas de rocha e podem, por isso, datar o próprio impacto”, afirmou. Ela lembra que essa prova veio de um resumo de congresso e de uma tese de doutorado. Essas fontes não passaram pela mesma revisão formal de um artigo de revista científica.

Pela data antiga, Ames entrava no Evento Meteórico Ordoviciano, uma série de impactos na América do Norte por volta de 467,5 milhões de anos atrás. Segundo a universidade, o novo resultado mostra que a cratera não pode ter feito parte desse grupo.

A nova idade veio de cristais de zircão, um mineral usado na datação por urânio e chumbo. Os grãos foram tirados direto do granito atingido pelo meteorito. A equipe usou dois métodos independentes, um com laser e outro com feixe de íons. “Não importava a técnica que usássemos, o resultado voltava para esse sinal mais jovem”, disse Catlos.

Para provar que os cristais registraram o impacto, o grupo fez imagens deles com a Nasa, por duas técnicas. Segundo a universidade, elas revelam o jeito específico como um zircão atingido se recristaliza. O coautor Danny Stockli dirige a Escola Jackson. Para ele, datar o zircão por urânio e chumbo é o modo mais preciso de saber quando esses eventos ocorreram.

O trabalho foi iniciado por Andrew Parisi, aluno de pós-graduação da escola. Ele recolheu no Serviço Geológico de Oklahoma a amostra de rocha perfurada em Ames, extraiu os zircões e ajudou a datá-los. Parisi se formou em 2018 e já morreu, assim como o coautor Michael Brookfield.

A cratera tem mais de 12 quilômetros de largura e fica a cerca de 32 quilômetros a sudoeste da cidade de Enid. Está sob uns 2.700 metros de sedimentos, segundo a Sociedade Histórica Americana de Petróleo e Gás.

Segundo a universidade, Ames é hoje uma grande produtora de petróleo e gás. Ninguém a reconheceu como cratera até 1991, quando a empresa Continental Resources achou ali um campo de petróleo. Segundo a sociedade, muitos geólogos achavam improvável haver petróleo em crateras de impacto.

A ligação com a extinção ainda não está provada. “Nossos resultados estabelecem uma nova hipótese de que o impacto de Ames está ligado à extinção em massa do Devoniano Tardio, mas não demonstram a relação de causa”, disse Catlos. Para ela, a pergunta é se extinções assim vieram de uma força de fora da Terra ou de dentro dela, como uma série de grandes erupções vulcânicas.

Stockli quer ver a mesma datação em mais crateras do continente, para montar uma linha do tempo mais precisa desses impactos. Catlos diz que confirmar a ligação exige outras provas. Entre elas, achar material do impacto em rochas sedimentares do fim do Devoniano, encontrar outras crateras dessa idade e entender seus efeitos no ambiente.