A Electronic Arts vai fechar a BioWare, o estúdio de Mass Effect e Dragon Age, e cancelar o próximo jogo da série Mass Effect. A própria BioWare confirmou o fim numa publicação nas redes sociais, em 21 de outubro. "Depois de mais de três décadas de aventuras compartilhadas, a BioWare está fechando, e o desenvolvimento inicial do próximo projeto de Mass Effect está terminando", diz o texto.

Segundo a agência Bloomberg, a EA vai demitir cerca de 400 pessoas. De acordo com o site Game Developer, 50 delas eram os últimos funcionários da BioWare, que trabalhavam no novo Mass Effect.

Segundo o Game Developer, os cortes chegam poucos meses depois de um grupo de investidores comprar a EA por 55 bilhões de dólares. O grupo reúne o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), a Silver Lake e a Affinity Partners.

Segundo o Kotaku, a compra deixou a EA com 18 bilhões de dólares em dívidas. A direção também prometeu aos investidores economizar 700 milhões de dólares por ano, o que, para o Kotaku, levou a várias rodadas de cortes.

Segundo o Game Developer, o diretor de operações da EA, David Tinson, e o diretor de estúdios, Cam Weber, teriam enviado uma carta à equipe. Nela, dizem que as decisões vieram de uma "análise dura do negócio" feita nos últimos meses. "Em todo o nosso portfólio, estamos fazendo escolhas deliberadas para alinhar talentos e investimentos onde vemos as maiores oportunidades para os jogadores e para o crescimento de longo prazo", diz a carta.

A BioWare não foi a única atingida, segundo o Game Developer. Segundo a Bloomberg, um jogo da série The Sims com o codinome Project Lotus foi cancelado, e outro, chamado Project Evergreen, passa a ser prioridade. A EA também tira recursos de skate, jogo online de skate do Full Circle, mas mantém o desenvolvimento dele. Os estúdios Respawn e DICE aparentemente vão trabalhar juntos num jogo novo, que "provavelmente" será outro Star Wars: Battlefront.

Segundo o Game Developer, a BioWare foi fundada em 1995 por Ray Muzkya, Greg Zeschuk e Augustine Yip. Em 1998, o estúdio de Edmonton lançou Baldur's Gate, baseado em Dungeons & Dragons. Depois vieram Star Wars: Knights of the Old Republic, Mass Effect, em 2007, e Dragon Age: Origins, em 2009. A EA comprou o estúdio em 2007.

Segundo o ex-produtor executivo Mark Darrah, citado pelo Game Developer, o estúdio passou a ter dificuldades depois de Dragon Age: Inquisition, de 2014. Foi quando a EA começou a priorizar jogos online para muitos jogadores, feitos para durar anos com atualizações contínuas. Anthem, de 2019, seguiu esse caminho e não se firmou: vendeu cerca de 5 milhões de cópias antes de ser desligado. Para o Kotaku, o jogo foi um fracasso financeiro.

Segundo o Game Developer, o desenvolvimento de Anthem se misturou ao do Dragon Age seguinte, que começou como jogo para um jogador. Foi planejado como jogo online e voltou a ser para um jogador, saindo em 2024 como Dragon Age: The Veilguard. Segundo o Kotaku, a EA disse que as vendas de Veilguard ficaram abaixo do esperado.

Funcionários da EA contaram ao Game Developer que, depois da compra, receberam só "garantias vagas" sobre o futuro da empresa. "É difícil ver como equipes ou jogos com desempenho fraco não seriam desfeitos ou vendidos", disse um deles, sem se identificar.

Daqui em diante, segundo o Kotaku, a EA planeja se concentrar nos jogos de esporte, em Apex Legends e nos projetos de Marvel e Star Wars.