O governo federal publicou uma lista de grandes projetos ferroviários que podem ir a leilão no ano que vem. Nela estão três trechos pouco usados em que a empresa vencedora retomaria os serviços, inclusive o transporte de passageiros.
Os trens de passageiros voltariam a circular em 116 km de linha entre São Luís e Itapecuru Mirim, no Maranhão, e num corredor de 234 km de Fortaleza a Sobral. A linha de 60 km entre Brasília e Luziânia também vai a leilão.
A lista foi anunciada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, em 15 de outubro, na bolsa de valores B3, em São Paulo. O pacote de concessões soma R$ 160 bilhões. Vem acompanhado de aportes do governo, garantias públicas e financiamento especial do BNDES, o banco federal de desenvolvimento.
Os estados têm planos próprios. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou em setembro que o trem intercidades de 95 km entre a capital e Sorocaba vai a leilão em 2027. Como no trem de 101 km até Campinas, que já está em obras, os passageiros ganhariam trilhos próprios, construídos à parte.
Também em São Paulo, o governo estadual anunciou em julho que a operação e a manutenção da Linha 10 de trens metropolitanos vão a leilão no ano que vem. É a última linha que ainda está com a estatal CPTM. A concessão incluiria tirar do papel a Linha 14, que ligaria Bonsucesso, em Guarulhos, ao Jardim Irene, no sul.
Em Pernambuco, o estado, com o governo federal e o BNDES, deve abrir no ano que vem a concessão do metrô do Recife. São duas linhas e 60 km, hoje operados pela estatal federal CBTU. O vencedor teria de modernizar a rede inteira, reconstruindo a infraestrutura e renovando a frota de trens.
Na carga, o governo procura empresas para construir e operar quatro ferrovias novas. O Anel Ferroviário do Sudeste ligaria o Rio de Janeiro ao Espírito Santo em 575 km. O ministério o trata como prioridade e espera abrir a licitação ainda este ano. O Corredor Leste-Oeste, de 2.400 km, iria do porto de Ilhéus, na Bahia, a Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, juntando trechos prontos, em obras e novos.
A Ferrogrão teria 933 km, de Sinop, em Mato Grosso, a Miritituba, no rio Tapajós. A Ferrovia Norte-Sul ganharia uma extensão de 553 km, de Açailândia até Belém.
Outros quatro corredores que já existem teriam novas concessões, porque os contratos estão vencendo ou porque o governo quer reorganizá-los. O vencedor faria obras de reconstrução e depois operaria a linha. A Malha Oeste, que parte de Corumbá, na fronteira com a Bolívia, passaria de 1.625 km para 1.973 km com outros trechos. O Corredor Mercosul ligaria Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, a Iperó, a oeste de São Paulo, em 1.865 km.
Há ainda cinco linhas abandonadas ou pouco usadas, que empresas privadas recuperariam para levar carga em contratos longos. A retomada depende de autorização do TCU, o órgão federal de controle de contas. Uma delas tem 141 km e liga Campina Grande a Cabedelo, na Paraíba. Além disso, 12 terminais de carga novos iriam a leilão ao longo dos 4.155 km já existentes da Norte-Sul.
O anúncio veio depois do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro, em que Flávio Bolsonaro, com 47%, ficou à frente do presidente Lula, com 45,2%. O segundo turno é em 25 de outubro. A Railway Gazette observa que o resultado pode mudar o compromisso com os pacotes. Especialistas em infraestrutura disseram à imprensa local que esperam a continuidade, seja quem for o vencedor.
