A agência espacial do Japão, a JAXA, lançou em 20 de outubro de 2026 a sonda MMX, sigla em inglês de Exploração das Luas Marcianas. A missão quer trazer à Terra as primeiras amostras colhidas numa lua de Marte. O foguete H3 decolou às 4h41, hora local, do Centro Espacial de Tanegashima, no dia previsto.

O alvo é Fobos, a maior das duas luas do planeta. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), parceira da missão, Fobos e Deimos podem ser asteroides capturados por Marte. Ou podem ser restos de detritos lançados em órbita por um impacto gigante no planeta. Para saber qual das duas, diz a ESA, é preciso ter amostras.

A origem das duas luas é tema de debate intenso na ciência planetária, segundo o site Universe Today. A hipótese do impacto tem a favor as órbitas quase circulares das luas. Mas anéis de detritos tendem a se formar perto do corpo atingido, e Deimos fica bem mais longe que Fobos. Algumas pesquisas calculam em menos de 3% a chance de um impacto ter criado as duas.

A captura de asteroides também tem apoio, ainda segundo o Universe Today: Fobos e Deimos parecem feitas de material diferente do de Marte. Só que as duas orbitam a até 2 graus do equador marciano, o que torna improváveis duas capturas separadas. Uma terceira hipótese, que o Universe Today chama de híbrida, junta as duas ideias. Marte teria capturado um só asteroide, despedaçado pela gravidade do planeta, e as luas teriam nascido desses detritos.

Segundo o Universe Today, é possível que 10 gramas do solo de Fobos resolvam o debate, com a ajuda dos dados que a sonda colher à distância. Se os minerais do material e sua proporção de isótopos (variantes de um mesmo elemento químico) baterem com os de Marte, ganha força o impacto. Se o material se parecer mais com o de um asteroide, ganha força a captura.

Até lá, a sonda deve entrar na órbita de Marte em agosto de 2027 e passar a orbitar Fobos a partir de setembro de 2027. Depois de estudar as duas luas à distância, está previsto que ela solte, no início de 2029, o Idefix. É um robô de 25 quilos feito pela agência espacial da França, a CNES, e pelo centro aeroespacial da Alemanha, o DLR.

Segundo o Universe Today, o Idefix será largado sobre Fobos de uma altura entre 40 e 100 metros. A gravidade da lua é tão fraca que o robô não vai se danificar e, caia como cair, se endireita sozinho. Ele vai fazer ciência na superfície e ajudar a achar um bom lugar para o pouso da nave principal.

Esse pouso está planejado para 2030. A página da missão na JAXA fixa a meta de trazer mais de 10 gramas de material, colhidos em dois pousos suaves. Uma cápsula deve ser recolhida na Austrália em 2031. Segundo o Universe Today, ela será enviada à área restrita de Woomera, no sul do país, enquanto o módulo de retorno queima na atmosfera.

Segundo o Universe Today, a JAXA, que lidera a missão, já completou duas missões de retorno de amostras, ambas de asteroides. A sonda Hayabusa trouxe material do Itokawa em 2010, e a Hayabusa 2, do Ryugu, em 2020.

A MMX tem a colaboração da NASA, da CNES, do DLR e da ESA. Segundo a ficha da missão na ESA, a agência europeia forneceu o equipamento de comunicação com o espaço profundo, como um amplificador de potência. Sua rede de estações em terra, a Estrack, vai mandar comandos à sonda e receber os dados dela.

Segundo a JAXA, o H3 voou como planejado e soltou a sonda cerca de 71 minutos após a decolagem, na órbita prevista. “O H3 da JAXA teve um desempenho fantástico para mandar a MMX rumo a Marte”, disse Elliot Sefton-Nash, cientista do projeto MMX na ESA.

Foi o terceiro sucesso seguido do foguete desde a falha do voo 8, em 22 de dezembro de 2025. Naquela vez, segundo a JAXA, a segunda ignição do motor do segundo estágio não começou normalmente e se desligou antes da hora. O satélite de navegação Michibiki 5 ficou aquém da órbita planejada.

Feito pela JAXA com a Mitsubishi Heavy Industries, o H3 chegou a dez voos com a MMX. Falhou em dois: na estreia, em março de 2023, e no voo 8. A MMX é a primeira carga do foguete enviada além da órbita da Terra.