A L3Harris Technologies vai projetar, montar e integrar para a NASA um novo telescópio todo de vidro. Ele é destinado à LISA, observatório espacial feito para detectar ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo. Chamado de Unidade de Teste de Engenharia, o aparelho representa, segundo a NASA, um passo final rumo à produção do equipamento de voo.

“Esta será a nossa última unidade antes do voo e a nossa primeira entrega de telescópio óptico para a ESA”, disse Ritva Keski-Kuha. Ela lidera o programa do telescópio da LISA no Centro Goddard, da NASA. A missão é comandada pela ESA, a Agência Espacial Europeia, e a NASA entra como parceira.

Em 2024, a L3Harris entregou à NASA um protótipo, que serviu de unidade de desenvolvimento para esta etapa. Segundo Keski-Kuha, ele passou por testes rigorosos, e tudo o que a equipe aprendeu vai para o telescópio novo. Em junho de 2026, a equipe também entregou um modelo estrutural feito de metal, em vez de vidro.

A versão nova será feita inteiramente de Zerodur, um composto de cerâmica e vidro cor de âmbar. O material é muito usado em aplicações de alta precisão porque resiste a mudanças de forma numa ampla faixa de temperaturas.

A LISA vai pôr três satélites numa órbita que acompanha a Terra, formando um triângulo com 2,5 milhões de quilômetros de lado. Cada satélite terá dois telescópios, que vão usar feixes de laser infravermelho para enviar e receber sinais das naves vizinhas ao mesmo tempo. Por eles, as naves vão medir mudanças minúsculas na distância entre si, que são o sinal de uma onda gravitacional passando.

“Essas mudanças são minúsculas, menores que a largura de um átomo de hélio”, disse Ira Thorpe, cientista do projeto da missão no Centro Goddard. Segundo ele, a LISA vai revelar ondas de baixa frequência que instalações na Terra hoje não conseguem detectar. Entre os alvos, Thorpe cita fusões de buracos negros gigantes a bilhões de anos-luz e, talvez, novas pistas sobre a própria gravidade.

Cada uma das três naves leva um cubo de ouro e platina que flutua solto, a chamada massa de prova. A nave voa em volta do cubo para que ele caia pelo espaço só sob a ação da gravidade. Em 2016, a missão LISA Pathfinder, da ESA, mostrou ser possível reduzir as outras forças sobre os cubos ao nível que a detecção exige.

Além dos telescópios, a NASA vai fornecer o sistema de laser e dispositivos que controlam o acúmulo de carga elétrica nos cubos. Também cuidará da análise de dados para identificar cada fonte de ondas gravitacionais. O lançamento da LISA está previsto para meados da década de 2030.