A Mercedes-AMG apresentou o GT SUV, um utilitário esportivo elétrico que aceita recarga rápida em corrente contínua de até 710 kW (quilowatts). Nas versões de bateria maior, a recarga de 10% a 80% leva 12 minutos, segundo a Mercedes. Em 10 minutos de recarga, isso dá até 454 km de autonomia pela medição WLTP. Para a Electrek, são as especificações de recarga mais impressionantes que já viu numa montadora tradicional.

São três versões nos EUA: GT 63, GT 55 e GT 53. A GT 63 e a GT 55 têm a bateria maior. A GT 53 chega a 600 kW de pico e faz de 10% a 80% em 11 minutos.

Há um porém para quem compra nos EUA. Segundo a Electrek, a maioria dos carregadores públicos mais rápidos do país, como os que a IONNA vem instalando, é de 400 kW. Para a Electrek, hoje quase não há onde carregar a 710 kW nos EUA, e o comprador vai pagar sobretudo por folga para estações futuras.

O carregador mais rápido previsto nos EUA é um modelo de 750 kW, que já foi adiado para o ano que vem. A China já tem carregadores de 2.250 kW em operação.

O alvo óbvio da Mercedes, segundo a Electrek, é o Porsche Cayenne Turbo Electric. Pelos números de cada fabricante, a versão GT 63 chega a 1.153 cavalos de potência (hp) de pico, contra 1.139 hp do Porsche. A bateria da GT 63 tem 128 kWh (quilowatts-hora) utilizáveis, contra 113 kWh. O pico de recarga é de 710 kW contra 400 kW, e os 10% a 80% levam 12 minutos contra menos de 16.

Na aceleração, a Electrek vê empate com o Cayenne e diz que o tempo de 0 a 60 milhas por hora já importa pouco, porque todo elétrico topo de linha fica na casa dos 2 segundos. O que conta, na avaliação da Electrek, é a bateria e a recarga, e nelas a Mercedes fica claramente à frente da Porsche.

A bateria de 128 kWh das versões GT 63 e GT 55 trabalha em 800 volts, e a da GT 53 tem 106 kWh. As células são cilíndricas, altas e estreitas, com silício no anodo (o polo negativo). Cada uma fica mergulhada num óleo que não conduz eletricidade, para resfriar.

As versões GT 63 e GT 55 usam três motores de fluxo axial, que a Electrek descreve como achatados e em forma de panqueca. Para a Electrek, eles entregam muito mais potência para o seu peso do que os motores da maioria dos elétricos. A Mercedes comprou em 2021 a britânica YASA, especialista nesse tipo de motor, e a tecnologia já chegou ao AMG CLA 45.

Estes são os números de pico das três versões, e os tempos de aceleração ainda são estimativas da Mercedes:

  • GT 63: 1.153 hp de pico, 0 a 60 milhas por hora em 2,6 segundos e velocidade máxima limitada a 168 milhas por hora.
  • GT 55: 805 hp de pico e 0 a 60 milhas por hora em 3 segundos.
  • GT 53: dois motores convencionais, 536 hp de pico e 0 a 60 milhas por hora em 4,1 segundos.

A potência contínua é de 711 hp na GT 63 e na GT 55, e de 362 hp na GT 53.

A AMG afina SUVs da Mercedes há décadas, mas a empresa diz que este é o primeiro SUV grande desenvolvido inteiramente por ela. É o segundo modelo da AMG.EA, arquitetura feita só para elétricos, depois do GT 4-Door Coupé elétrico, revelado neste ano. O SUV herda desse carro os motores e a bateria.

Para a Electrek, o carro é pesado: a GT 63 tem 2.695 kg, apesar do baixo coeficiente de arrasto (a medida de quanto o ar resiste ao carro), de 0,27. Pela medição WLTP, a autonomia vai de 620 a 700 km nas GT 63 e GT 55, e de 597 a 668 km na GT 53, e a Electrek espera números menores na medição da EPA.

A Electrek lembra que o mercado de SUVs elétricos acima de 150 mil dólares é pequeno. Segundo ela, a própria Mercedes sabe disso: acaba de cortar o EQE e o Maybach EQS SUV da linha 2027. O Cayenne Turbo Electric custa 163 mil dólares nos EUA. O preço do GT SUV ainda não foi anunciado, e as primeiras unidades chegam às concessionárias dos EUA no verão americano de 2027.