Um lado da atmosfera do planeta gigante WASP-17b se estende mais para o espaço do que o outro, o que dá a ele um contorno irregular. Astrônomos mediram essa deformação com o Telescópio Espacial James Webb e acharam o inchaço no lado do entardecer, junto ao equador.

O WASP-17b tem um lado sempre iluminado e outro sempre na sombra. Segundo o estudo, jatos de vento levam o calor do lado do dia para o lado da noite. Isso infla a atmosfera no entardecer, em comparação com o lado da manhã, mais frio. A posição do inchaço bate com o que a teoria e modelos anteriores indicavam.

“A teoria prevê que os lados da manhã e da tarde tenham uma forte diferença de temperatura, e o WASP-17b se encaixa muito bem nessa tendência”, disse Lili Alderson. Ela é a autora principal do estudo e bolsista de pós-doutorado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

O planeta é um júpiter quente, nome dado aos gigantes que orbitam perto da sua estrela. Ele fica a cerca de 1.300 anos-luz da Terra.

O mapa saiu de um método chamado cordas de transmissão, usado pela primeira vez neste trabalho. Ele foi criado na Universidade de Bristol, no Reino Unido, pelos astrofísicos David Grant e Hannah Wakeford. A técnica acompanha o planeta enquanto ele passa na frente da estrela. Ela analisa a luz que atravessa cada parte da borda da atmosfera.

A modelagem tradicional extrai um único espectro, a medida da luz em diferentes comprimentos de onda, com a média de toda a borda. O Webb já permitia outra técnica, o mapeamento por eclipse, que mede a mudança na luz quando o planeta passa atrás da estrela.

“Em vez de supor que a atmosfera é um círculo com o mesmo raio em toda a volta, nossa técnica permite tirar distâncias diferentes do centro até a borda do planeta”, explicou Alderson. Na comparação dela, a equipe passou de um anel para saber onde, no anel, estão as pedras preciosas.

O estudo foi liderado em conjunto por Cornell e Bristol e saiu na revista Nature Astronomy em 14 de outubro de 2026, com verba da NASA. Os dados sobre a composição química também concordam com as previsões teóricas e com outras técnicas de modelagem. O mesmo vale para as diferenças de temperatura, do equador aos polos e entre os lados do dia e da noite.

“Planetas são temperamentais, suas atmosferas são complexas e caóticas”, disse Wakeford, coautora e professora associada de astrofísica em Bristol. Para ela, foi emocionante ver os números formarem um quadro tão estruturado de um mundo a mais de 1.000 anos-luz.

Segundo a SciTechDaily, os resultados formam uma das visões tridimensionais mais completas da atmosfera de um exoplaneta, como são chamados os planetas fora do Sistema Solar. Eles também servem de referência para comparar com os mais de 6.000 outros já confirmados. O método começa a separar condições em latitudes diferentes, além do contraste entre dia e noite: é um primeiro passo para mapear padrões na escala do tempo meteorológico desses mundos.