O telescópio espacial James Webb encontrou a galáxia de onde partiu a rajada rápida de rádio mais distante já registrada. Ela é pequena e cheia de estrelas relativamente jovens. Segundo a Engadget, pela medida do esticamento da luz da galáxia, o sinal partiu apenas 3 bilhões de anos depois do Big Bang, quando a formação de estrelas no Universo estava no auge.

Segundo a Engadget, há duas teorias sobre como essas rajadas surgem. Uma propõe que elas sejam geradas pela fusão de duas estrelas de nêutrons, os núcleos que sobram quando estrelas supergigantes colapsam. A outra sugere que elas podem vir de estrelas de grande massa que explodem numa supernova e deixam magnetares. Magnetares são um tipo raro de estrela de nêutrons, com campo magnético muito forte.

“Nosso trabalho sugere que é muito improvável que esta rajada tenha sido produzida por uma fusão”, disse Manisha Caleb, da Universidade de Sydney, na Austrália. Segundo a Engadget, ela é a autora principal do estudo, publicado na revista Science. Para a Engadget, o trabalho mostra que a origem provável foi uma supernova.

Uma fusão de estrelas de nêutrons leva tempo. O par pode se aproximar em espiral por mais de um bilhão de anos antes de se fundir. Por isso, segundo o Universe Today, se a causa fosse uma fusão, as rajadas deveriam aparecer em galáxias grandes e maduras, com estrelas velhas. As detectadas antes, segundo a Engadget, ocorreram bilhões de anos mais tarde, em galáxias grandes e com estrelas se formando.

A galáxia achada pelo Webb é diferente. O espectro, que separa a luz em cores, sugere que a maior parte das estrelas dela se formou em cerca de 30 milhões de anos. Segundo a Engadget, ela é ainda mil vezes menor do que se esperava. Para o Universe Today, o fato de ela ser pequena e jovem aponta para a origem em magnetares.

Estudar essas rajadas é difícil. São sinais de rádio intensos que duram milissegundos, mas liberam tanta energia quanto o Sol emite em três dias, segundo a Engadget. Descobertas em 2007, no início eram difíceis de separar do ruído de fontes na própria Terra. Depois ficou claro que a maioria vem de outras galáxias. Só com o sinal de rádio, porém, é difícil provar a origem de cada uma.

O caminho até essa galáxia começou em 2024, quando o conjunto de radiotelescópios MeerKAT captou a rajada. Ela foi batizada de FRB 20240304B; FRB é a sigla do inglês fast radio burst. Os dados fixaram com muita precisão o ponto de origem no céu, mas observações em luz visível não revelaram nenhum objeto ali. Então uma equipe tentou de novo com o Webb, bom em observar galáxias fracas e distantes.

Se os magnetares forem mesmo a causa, a expectativa, segundo o Universe Today, é encontrar rajadas ainda mais distantes à medida que os dados se acumulam. Observatórios como o MeerKAT talvez consigam captar sinais do primeiro bilhão de anos do cosmos.