A Xbox, divisão de games da Microsoft, anunciou em 13 de outubro de 2026 a criação do Xbox Labs. É um pequeno grupo interno de criadores de jogos, engenheiros e cientistas. Segundo memorando da presidente-executiva Asha Sharma, publicado no Xbox Wire, a missão é transformar ideias novas em experiências para jogadores e desenvolvedores.
Sharma ligou a missão do grupo aos agentes de IA, programas que executam tarefas por conta própria. Ela escreveu que a programação virou a primeira grande tarefa desses agentes porque eles conseguem escrever, rodar e testar software. Para ela, os jogos têm muitas dessas mesmas características.
O memorando traz uma comparação. As pessoas passam mais de 72 bilhões de horas por ano jogando títulos da Xbox. Segundo Sharma, isso equivale a cerca de cinco vezes o tempo estimado gasto escrevendo código no mundo. A Xbox alcança mais de 1 bilhão de jogadores por ano, de acordo com a biografia oficial da executiva.
Sharma veio da área de IA da Microsoft. Antes de comandar a Xbox, desde o início de 2026, ela foi presidente de produto das ferramentas de IA e da infraestrutura de aplicativos da empresa. Isso incluía serviços como Azure, GitHub e Visual Studio Code, usados por mais de 180 milhões de desenvolvedores.
Ao assumir, ela também fez uma promessa sobre o uso de IA. Em mensagem do primeiro dia aos funcionários, disse que a empresa não iria "correr atrás de eficiência de curto prazo nem inundar nosso ecossistema com lixo de IA sem alma". Na mesma mensagem, descreveu os jogos como arte feita por humanos.
A outra base do grupo, segundo Sharma, são experimentos das semanas anteriores ao memorando. Jogos foram rapidamente descompilados, ou seja, convertidos de volta em código que pode ser alterado. Depois, foram reconstruídos para rodar em aparelhos para os quais nunca foram feitos.
Versões para PC com Windows foram adaptadas aos processadores próprios da Apple ou passaram a rodar dentro do navegador. O memorando afirma que a WebGPU, uma das tecnologias usadas nessa conversão para o navegador, se aproxima de 90% de suporte nos navegadores do mundo. Muitos dos maiores jogos também foram remixados dentro do código de outro jogo.
Para Sharma, esses testes desafiam ideias antigas do setor: a ligação entre programa e aparelho, a fronteira entre criar e jogar e o jeito como as pessoas descobrem jogos. Ela escreveu que é difícil prever o futuro dos games. Mas vê possibilidades em facilitar o acesso a bons jogos, dar nova vida a títulos antigos e transformar mais jogadores em criadores. Segundo ela, isso é bom para os jogadores mesmo quando desafia os modelos de negócio atuais da Xbox.
O grupo vai trabalhar em público. Sharma disse que ele vai aprender com a reação das pessoas e medir o sucesso por mais gente jogando e criando. Um site do Xbox Labs já está no ar, com o lema "Vamos brincar com o que vem por aí" e cadastro de e-mail para novidades.
À medida que o grupo aprender, a Xbox vai dividir as ferramentas que construir com desenvolvedores de todo o setor, segundo o memorando. O texto também diz que as prioridades da empresa não mudam: fazer bons jogos, manter seu hardware e cuidar com responsabilidade da propriedade intelectual e das comunidades criadas em torno dela. Para Sharma, o laboratório é uma forma de explorar tecnologia nova sem abandonar o trabalho que já está em andamento.
