O plano da Huawei era lançar o Ascend 960DT, seu próximo chip de inteligência artificial, só no terceiro trimestre de 2027. Mudou. Durante o evento Huawei Connect, David Wang, presidente rotativo da empresa, anunciou que o chip chega no primeiro trimestre daquele ano — dois trimestres inteiros adiantados.
A Huawei corre pra desafiar a Nvidia, e faz isso apesar das restrições dos Estados Unidos à venda de semicondutores avançados pra empresas chinesas. Segundo a analista Rui Ma, tentar barrar o avanço da China em semicondutores é inútil, porque as apostas em autossuficiência são altas demais.
O que muda tecnicamente
Segundo o porta-voz da Huawei ouvido pelo TechCrunch, os chips Ascend 960 estão chegando antes do previsto e dobrando o desempenho — a declaração não diz em relação a quê. A empresa tenta ligar centenas de milhares de chips de IA num computador gigante, com a Peerium Computing Architecture, que usa uma tecnologia chamada UnifiedBus pra conectar processadores, memória, armazenamento e rede. Os primeiros sistemas da arquitetura são o Atlas 950 SuperPoD e o SuperCluster, e a Huawei diz que um Atlas 950 SuperCluster conecta até 256 mil placas aceleradoras — uma escala pensada tanto pra treinar quanto pra rodar modelos de IA.
Nem tudo veio do tamanho que a Huawei prometeu originalmente, porém. Segundo a analista de tecnologia chinesa Rui Ma, "o chip em si está chegando bem mais cedo, mas o SuperPoD que anunciaram é bem menor do que o planejado originalmente" — ou seja, o sistema ficou bem menor: segundo ela, a Huawei tinha dito antes que o Atlas 960 SuperPoD chegaria a 15.488 chips Ascend 960, e o anúncio desta semana fala num sistema de 4.096.
O pano de fundo geopolítico
O anúncio saiu a uma semana de um encontro programado entre Trump e Xi Jinping, no meio de uma disputa maior entre EUA e China pela liderança em inteligência artificial. Eric Xu, executivo da Huawei, defende, segundo o Financial Times, que a China precisa acelerar o desenvolvimento de IA pra alcançar os EUA, porque as empresas chinesas ainda precisam avançar mais antes de entender e lidar com os riscos de sistemas mais poderosos. Do lado americano, Trump resistiu a pedidos de líderes do setor de IA por uma desaceleração, com o argumento de que os EUA precisam manter a liderança sobre a China.
