O escritório britânico RSHP concluiu em Shenzhen, na China, uma torre de escritórios de 212 metros que se apoia num núcleo central de concreto. Desse núcleo saem, em balanço (apoiadas só de um lado, no núcleo), as duas alas do prédio: uma de 37 andares a leste e outra de 44 a oeste. Juntas, elas somam 70.410 metros quadrados de escritórios.
O prédio, chamado Hetao Alpha, tem 45 andares. Segundo Marco Tessaro, associado da RSHP, as quinas suspensas reduzem a estrutura no perímetro da torre. Isso, diz ele, deixa as bordas finas e abre vistas amplas em pé-direito duplo.
A cada 12 andares, megatreliças (grandes armações de barras unidas em triângulos) instaladas em andares técnicos e de refúgio (usados como abrigo numa emergência) dão apoio extra à estrutura. Na base, treliças triangulares gigantes no teto do pódio (o bloco mais baixo sobre o qual a torre se ergue) ajudam a transferir a carga da ala leste para o núcleo central.
O saguão de entrada, um espaço de pé-direito duplo dentro do pódio, é sustentado por uma série de colunas finas ligadas a essas treliças. Uma passagem atravessa as pontas norte e sul do térreo. Segundo o Dezeen, ela ajuda a dar ao pódio um aspecto flutuante, que diminui a sensação de peso do volume.
A torre também é ventilada de forma natural. Painéis de venezianas na fachada e aberturas no vidro fazem o ar circular por todo o edifício e reduzem o gasto de energia. De acordo com o Dezeen, essa foi uma das medidas que ajudaram o projeto a obter três estrelas no padrão chinês de avaliação de edifícios verdes.
A fachada é toda de vidro, e os andares têm planta aberta. Em cada uma das quatro quinas das alas, vidros curvos de pé-direito duplo se voltam para as áreas alagadas da Baía de Shenzhen, a oeste, e de Mai Po, em Hong Kong, ao sul. Até os elevadores, nas fachadas norte e sul do volume central, são envidraçados.
O pódio público, de seis andares e 13.640 metros quadrados, abriga instalações esportivas, biblioteca, lojas e um espaço de exposições de arte. No teto dele, metade do terraço é reservada para vegetação. Esse terraço e um mirante na ala oeste foram pensados para receber visitantes e inquilinos em atividades ao ar livre, como observar aves migratórias, um passatempo popular na região. No subsolo ficam uma estação de metrô e uma praça rebaixada com lojas.
Segundo a RSHP, um dos desafios foi juntar os pedidos de dois clientes diferentes: um complexo de uso misto e um prédio de escritórios com identidade arquitetônica própria. A obra custou 120 milhões de libras e tem 96.223 metros quadrados de área construída, num terreno de 11.118 metros quadrados.
