O motor que a United Airlines tirar da asa pode dar peças a outro avião ou virar gerador de eletricidade. O caminho está num acordo anunciado em outubro de 2026 com a FTAI Aviation, de Nova York, que conserta e aluga motores a jato. A FTAI entrega à companhia aérea um motor CFM56-7B pronto para uso antes de uma retirada programada e depois compra o motor retirado. Assim, a United não espera uma revisão.

Dona do motor, a FTAI pode decidir onde as peças aproveitáveis valem mais. Joe Adams, executivo-chefe da FTAI, disse a investidores que o negócio de energia vai mirar motores CFM56 que iriam para o desmonte. “Eles valem mais para nós do que valem no mercado secundário como peças”, afirmou.

Em julho de 2026, uma empresa de computação em nuvem (computadores alugados pela internet), de nome não divulgado, fez uma encomenda de US$ 1,465 bilhão. O pedido passou pela J&F Power Systems, sociedade da FTAI com o Jereh Group, e as empresas esperam entregar os geradores em lotes até novembro de 2027. A FTAI tem contratos para entregar mais de 100 geradores baseados no CFM56 a clientes dos Estados Unidos e do Canadá em 2027 e 2028.

Quem constrói centros de dados de inteligência artificial pode esperar anos por uma ligação à rede elétrica, segundo a AeroTime. Com um motor convertido em gerador, produz eletricidade no próprio local e liga seus servidores bem antes. Um motor antigo de Boeing 737 ou Airbus A320 pode valer mais como gerador do que a venda de suas peças renderia, segundo a publicação.

O Mod-1, gerador da FTAI, usa o núcleo (a parte central) de um CFM56, um dos motores mais usados na aviação comercial. Em testes em Miami, segundo a empresa, a unidade cumpriu as metas de 23 megawatts contínuos e 25 megawatts no pico. A FTAI testou a máquina com gás natural e com combustível líquido.

A Boom Supersonic não parte de motor usado: desenvolve um núcleo de turbina novo. O núcleo é para a Superpower, turbina a gás natural de 42 megawatts para centros de dados de IA. Serve também ao motor previsto para o avião Overture.

A Crusoe, empresa de infraestrutura de IA, encomendou 29 unidades da Superpower, e a Boom mira as primeiras entregas para meados de 2027. O primeiro protótipo do núcleo ficou pronto em outubro, e o próximo passo é ligá-lo na área de testes da empresa no Colorado.

Na Ascent Aviation Services, no Pinal Airpark do Arizona, o relato ao The New York Times é de que consultas de empresas de energia cresceram no último ano. O jornal também informou, citando licenças estaduais e imagens de satélite, que a xAI, de Elon Musk, instalou oito turbinas de avião convertidas no Mississippi.

Motores assim também seguem úteis à aviação. A britânica AerFin, especialista em aviões e motores, comprou três CFM56 para desmontar e achou material aproveitável para devolver um deles ao serviço. Empresas como a AerFin agora concorrem com os centros de dados pela compra de motores aposentados.