Um esquema divulgado pela NASA mostra a nave Starship, da SpaceX, abastecendo em duas órbitas diferentes antes de encontrar os astronautas da missão Artemis IV. A segunda parada é o que a NASA chama de “órbita final de abastecimento”. A Artemis IV será o primeiro pouso tripulado do programa na Lua, e a Starship é uma das naves que podem fazer a descida.
O esquema saiu numa atualização recente sobre o programa. Por ele, a SpaceX lança primeiro uma nave-depósito para a órbita baixa da Terra, onde ficará todo o combustível que a Starship de pouso vai usar. Depois, naves-tanque sobem para enchê-la. Ao lado delas, o esquema traz só a palavra “múltiplos”, sem dizer quantos voos serão. Com essa etapa pronta, a nave de pouso sobe e faz a primeira parada junto do depósito.
Em seguida, a Starship se solta do depósito e sobe até a órbita final de abastecimento. Em algum momento depois dessa saída, outra leva de naves-tanque, também marcada como “múltiplos”, volta a encher o depósito. Segundo o Space.com, a SpaceX aparentemente envia então o depósito ao encontro da nave, para a última transferência de combustível. Só depois a Starship sobe à órbita alta da Terra, onde encontra a cápsula Orion, da NASA.
Essa ordem incomum tem uma função, diz a página da NASA sobre a missão. O esquema mostra o foguete SLS lançando a Orion antes de a Starship receber a última carga. Segundo o Space.com, as paradas em etapas aparentemente dão alguma folga na escolha da hora de lançar os astronautas, qualquer que seja o número de abastecimentos.
A NASA também diz que o novo caminho reduz o combustível de que a SpaceX precisa. Parte da redução vem do destino: a Starship levará a Orion direto à órbita baixa da Lua, em vez da órbita bem mais alta dos planos anteriores.
Os quatro astronautas sobem na Orion. Acopladas, as duas naves seguem para a Lua com os motores da Starship e se separam ao chegar à órbita baixa lunar. Dois tripulantes ficam na Orion, e os outros dois descem à superfície na Starship. Depois, a dupla decola na mesma nave, acopla na Orion em órbita lunar e começa o retorno à Terra. O Space.com vê nessa parte alguma semelhança com as missões Apollo, da própria NASA.
Quantos voos de abastecimento tudo isso exige segue sem resposta. Em 2021, uma auditoria do Escritório de Prestação de Contas do Governo estimou que poderiam ser até 16. Um integrante do Painel Consultivo de Segurança Aeroespacial disse que o número poderia chegar a 22. Elon Musk, fundador e presidente-executivo da SpaceX, logo contestou na própria rede social, o X: seriam perto de seis ou oito.
Se a SpaceX não demonstrar que o abastecimento em órbita funciona, ou não fizer um pouso lunar sem tripulação até o fim do próximo ano, a NASA ainda poderá escolher a nave Blue Moon, da Blue Origin. Para isso, a Blue Moon teria de cumprir as próprias exigências a tempo.
