Um grupo de pesquisadores da Universidade de Utah estudou certas estrelas em galáxias próximas da nossa. A ideia é usá-las como modelo das estrelas que existiam quando o universo era muito jovem.

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O levantamento se chama TEMPOS, sigla em inglês de um catálogo de estrelas extremamente pobres em metais. Ele usou a luz ultravioleta dessas estrelas, captada por um instrumento do Telescópio Espacial Hubble.

Segundo a líder do estudo, Grace Telford, professora assistente de Física em Utah, o trabalho pode dar aos astrônomos modelos muito melhores das estrelas chamadas de População III. Foram as primeiras estrelas, formadas algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang.

Segundo o Universe Today, estrelas de grande massa como as do levantamento imitam as do universo jovem e têm enorme influência na evolução de suas galáxias. "Elas queimam muito quentes, brilhantes e rápidas, e terminam suas vidas curtas em explosões de supernova", disse Telford sobre essas estrelas. Supernova é a explosão de uma estrela no fim da vida. Segundo ela, essas explosões depositam muita energia e material no gás ao redor.

"Elas governam a evolução das galáxias onde vivem, aquecendo e regulando o gás que depois fica disponível para esfriar e formar novas estrelas", afirmou a pesquisadora.

Por que as primeiras estrelas eram diferentes

Os astrônomos concluíram que as primeiras estrelas provavelmente eram enormes, formadas da enorme quantidade de hidrogênio do universo recém-nascido. Elas tinham mais de dez vezes a massa do Sol. Como brilhavam forte e queimavam rápido, viviam bem menos que estrelas como o Sol.

Elas também eram o que os astrônomos chamam de "pobres em metais". Na astronomia, metal é todo elemento mais pesado que o hidrogênio e o hélio, como carbono, oxigênio e nitrogênio. As primeiras estrelas eram feitas principalmente de hidrogênio e hélio.

Ao longo da vida, essas estrelas transformaram hidrogênio em hélio e depois em elementos mais pesados, até o ferro. Quando explodiram, espalharam esses elementos pelo espaço.

As galáxias mais antigas do universo também eram pobres em metais. Isso mudou à medida que suas estrelas morreram e espalharam seus restos pelo espaço.

A Via Láctea e o Sol não são pobres em metais. Por isso, a equipe procurou respostas fora da nossa galáxia. "Não dá para só estudar como as estrelas de grande massa ricas em metais da Via Láctea se comportam para interpretar essas observações", disse Telford.

O que o levantamento encontrou

O TEMPOS analisou 29 estrelas de grande massa e pobres em metais. Elas ficam em galáxias anãs próximas, pequenas e mais parecidas com as galáxias antigas do que a Via Láctea.

A luz ultravioleta dessas estrelas mostrou quanto metal elas têm. Mostrou também como são seus ventos estelares, o material que sai da estrela para o espaço, como o vento solar faz no Sol.

Em geral, quanto menos metais a estrela tem, mais fracos são os ventos. Isso quer dizer que ela perde menos massa ao longo da vida. Os dados do TEMPOS mostram essas características.

A equipe também detectou sinais de ferro na luz dessas estrelas. As estrelas de grande massa de galáxias ricas em metais mostraram sinais de ferro mais fortes que as de galáxias pobres em metais. Esse resultado ainda vai exigir mais estudo e mais dados.

Segundo o site Universe Today, o trabalho tem aplicação imediata nas observações do universo primitivo feitas pelo Telescópio Espacial James Webb. Esse telescópio pode estar perto de conseguir boas imagens das primeiras estrelas. Os dados do levantamento estão abertos ao público.