A Tesla respondeu às perguntas do governo dos Estados Unidos sobre o Cybercab, o robotáxi com que a empresa quer chegar à autonomia total, sem volante e sem pedais. A versão pública da resposta, porém, tem uma frase só: “A totalidade deste arquivo é informação comercial confidencial”. O prazo original era 30 de setembro. A empresa pediu oito semanas a mais, e a agência fixou um meio-termo: 30 de outubro.

O pouco que se sabe sobre o funcionamento do carro veio de outro documento. A Tesla publicou um guia de 30 páginas para equipes de resgate, como bombeiros e paramédicos. Nele, descreve o Cybercab como “normalmente não equipado com volante nem pedais de acelerador e freio”.

O guia mostra que essas equipes têm como mover o veículo. O socorrista exibe o distintivo para a câmera instalada na coluna central da carroceria. Um representante da Tesla confere a credencial, e um conjunto de comandos aparece na tela central do carro. Para a Carscoops, esses comandos na tela não suprem a falta dos controles físicos que a agência está questionando.

As perguntas vieram numa ordem especial de 10 de setembro da NHTSA, a administração federal de segurança no trânsito dos Estados Unidos. São 21 pedidos sobre como a Tesla certificou o Cybercab, e cada um precisa de resposta sob juramento. Um deles quer saber como o carro atende à norma FMVSS 135, segundo a qual os freios devem ser acionados por um controle de pé. A própria Tesla não esconde que o carro não tem pedal.

A agência também pergunta sobre espelhos, sobre setas que se desligam com o giro do volante e sobre o uso de controles temporários na certificação. Segundo a Carscoops, controles provisórios poderiam contrariar outras regras, que proíbem a montadora de desativar equipamento de segurança obrigatório.

Nos Estados Unidos, são as próprias montadoras que atestam que seus carros cumprem as normas federais de segurança veicular. A NHTSA abriu a investigação no mesmo dia do lançamento do Cybercab, sem entender como a Tesla poderia certificar para as ruas um carro sem esses comandos.

O sigilo ainda pode cair. Se a NHTSA discordar de que o conteúdo é informação comercial confidencial, tem o direito de torná-lo público. Se aceitar o argumento da Tesla, é possível que o documento nunca venha à tona.