O Google lançou o Gemini 4 Argon, seu novo modelo de inteligência artificial (IA). Segundo a empresa, ele foi feito para tarefas como programar, pesquisar e escrever, mas o forte dele seria a segurança digital. O modelo foi treinado para o trabalho de defesa contra ataques. O Google diz que ele consegue "encontrar, validar e corrigir de forma autônoma falhas críticas em programas".

Por enquanto, o acesso é restrito. Fora da empresa, só um grupo escolhido de parceiros do Google na área de segurança recebe o Argon, pelo Fairwind Program, a iniciativa de segurança da empresa. Segundo a MarkTechPost, o Google vai colher a opinião dos primeiros usuários e ajustar as proteções antes de liberar o modelo para mais gente. A empresa também participa do processo voluntário do governo dos Estados Unidos de acesso a modelos antes do lançamento.

A maior mudança técnica, segundo a MarkTechPost, é o tamanho da resposta. O Argon pode gerar até 1 milhão de tokens (os pedaços de texto que um modelo de IA lê e escreve) numa única resposta. Nos modelos Gemini anteriores, o limite era de 64 mil. O Claude Opus 5.5 e o Claude Fable 5.1, da Anthropic, e o GPT-6 Astra, da OpenAI, permitem 128 mil tokens por resposta cada.

Na prática, segundo a MarkTechPost, isso permite fazer grandes mudanças num programa ou escrever relatórios longos sem dividir o trabalho em várias rodadas. A equipe do Google afirma que o "Argon consegue pensar a fundo e gerar centenas de milhares de tokens num único percurso".

O preço já foi divulgado. Na fase de lançamento, o Argon custa US$ 2 por milhão de tokens de entrada, que é o texto enviado pelo usuário. A saída, o texto que o modelo devolve, custa US$ 10 por milhão de tokens. Depois desse período, os valores sobem para US$ 4 e US$ 20. O preço inicial é a metade do cobrado pelo Claude Opus 5.5, segundo a MarkTechPost.

Segundo a MarkTechPost, o Google comparou o Argon com o GPT-6 Astra, o Claude Opus 5.5 e o Claude Fable 5.1 em 18 testes de desempenho. Pelos números divulgados pela própria empresa, o Argon ficou sozinho em primeiro lugar em 12 deles e empatou em primeiro em outro. No DeepSWE v1.1, que mede tarefas longas de engenharia de software, ele marcou 77,9%. O Claude Opus 5.5 fez 74,2%, e o GPT-6 Astra, 74,1%.

Segundo a MarkTechPost, o modelo também liderou o Vals Index, com 68,9%. Esse índice mede o impacto econômico em finanças, programação, direito e impostos. Ele é da Vals, uma empresa iniciante de testes de IA cada vez mais popular, segundo o TechCrunch. No LVBench, que avalia a compreensão de vídeos longos, o Argon marcou 91,7%.

Mas ele perdeu em outros testes, segundo a MarkTechPost. No Terminal-Bench 4.0, fez 57,4%, atrás dos 66,4% do Claude Opus 5.5. No OSWorld-2.0, que avalia o uso do computador pela IA, ficou com 69,2%, contra 72,6% do GPT-6 Astra.

Na segurança, defensores de confiança e equipes internas do Google recebem o Argon sem as travas de segurança cibernética. No CWE-bench v1, que testa a correção de falhas, ele empatou em primeiro lugar, com 68%. A Wiz já usa o Argon na sua iniciativa Scan for Good. Segundo a MarkTechPost, o modelo achou uma falha grave num programa de saúde usado por hospitais do mundo todo. O Google diz que os modelos de ponta anteriores não a tinham encontrado.

Antes de liberar o Argon para mais gente, o Google está reforçando a proteção em quatro frentes, segundo a MarkTechPost. As duas primeiras são a defesa contra o mau uso em ataques digitais e a resistência a comandos escondidos nos textos que o modelo lê. As outras são a vigilância do raciocínio e das ações dele, com a opção de parar tudo, e testes em ambientes isolados.

Dentro da empresa, milhares de funcionários já usam o Argon, segundo a MarkTechPost. Segundo o TechCrunch, o próprio Google diz que a equipe dele usa o modelo no trabalho do dia a dia, como para achar e corrigir erros em programas e migrar código de um sistema para outro. Num dos resultados internos divulgados, o Argon superou em 40%, em minutos, um resultado já publicado de um algoritmo quântico (um método de cálculo feito para computadores quânticos).

"O Argon está mudando de forma fundamental o jeito como trabalhamos e criamos no Google", disse a empresa no seu blog. Segundo o TechCrunch, o lançamento acontece numa corrida em que os grandes laboratórios de IA se apressam a lançar modelos cada vez mais potentes, mesmo alertando que a IA pode sair do controle. A OpenAI lançou há pouco o GPT-6 Astra, que chamou de seu melhor modelo.

O TechCrunch lembra que o Google, antes visto como atrasado na disputa da IA, vem tendo sucesso com o Gemini. A empresa anunciou em agosto que o aplicativo passou de 1 bilhão de usuários por mês.

Por que importa

Para quem paga pelo uso de IA, a MarkTechPost aponta que o texto de entrada guardado em cache tem desconto de 95%, o que dá US$ 0,10 por milhão de tokens no preço de lançamento.

Segundo a MarkTechPost, a Artificial Analysis concluiu que o Argon empata com o GPT-6 Astra no seu índice de inteligência, gastando 60% do custo por tarefa, com preços de desconto. No FrontierSWE v2, outro teste, o Argon fez 55,0%, contra 65,5% do GPT-6 Astra. E ainda não há data para o lançamento ao público.