Segundo a Universe Today, uma equipe internacional de pesquisadores anunciou a primeira imagem direta de um planeta em formação. O planeta aparece no meio do gás e da poeira que o cercam, e esse tipo de objeto se chama protoplaneta. A descoberta é tema de um estudo recente, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. A fonte diz que a descoberta pode mudar o modo como os astrônomos entendem a formação e a evolução dos planetas.
O que a imagem mostra
O estudo se concentra no protoplaneta WISPIT 2b, e um observatório no norte do Chile obteve a imagem direta dele. O WISPIT 2b tem um companheiro, o protoplaneta WISPIT 2c. A imagem marca com símbolos a posição da estrela, do WISPIT 2c, com sua cavidade, e do WISPIT 2b, com seu vão.
A cavidade e o vão são coisas diferentes dentro de um disco protoplanetário, o disco de gás e poeira em que os planetas se formam. Segundo a Universe Today, a cavidade indica a limpeza total do gás e da poeira. O vão indica menos material, mas ainda o bastante para o protoplaneta continuar a se formar.
Na imagem, o WISPIT 2b aparece girando no gás e na poeira que recolhe. As cores mostram o movimento do gás: o azul indica o que vem na nossa direção, e o vermelho, o que se afasta.
A autoria principal do estudo é de Myriam Benisty, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha. Segundo Benisty, os dois planetas moldam o ambiente em que estão: o WISPIT 2c abriu uma cavidade no disco, e o WISPIT 2b, um vão. Em volta do WISPIT 2b, a equipe encontrou redemoinhos de gás que as simulações da interação entre disco e planeta já previam, mas que nunca tinham sido vistos de fato. “Agora existe uma imagem deles!”, disse a pesquisadora.
Os dois planetas
O WISPIT 2b fica a cerca de 430 anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano. A massa dele é estimada em cerca de cinco vezes a de Júpiter. Ele está a cerca de 57 unidades astronômicas da estrela, uma medida de distância usada na astronomia.
O WISPIT 2c orbita mais perto da estrela, a 15 unidades astronômicas, dentro da órbita do WISPIT 2b. A massa estimada dele vai de 8 a 12 vezes a de Júpiter. O anúncio da descoberta do WISPIT 2b saiu em agosto de 2025. O do WISPIT 2c veio depois, em março de 2026.
Como a imagem foi feita
Esse observatório é o ALMA, sigla em inglês de Atacama Large Millimeter/submillimeter Array. Segundo a Universe Today, o ALMA se destaca por combinar dados das suas 66 antenas de rádio. Assim ele cria imagens de altíssima resolução, como a do sistema WISPIT 2.
Imagens diretas de objetos planetários avançaram muito na última década, segundo a fonte. Em geral, isso significa fotografar exoplanetas, que são planetas de outras estrelas, bloqueando o brilho intenso da estrela que os abriga. Segundo a Universe Today, obter imagens de protoplanetas é bem mais difícil, porque eles são muito menores.
Como um planeta nasce
Segundo a Universe Today, tudo começa com uma enorme bola de gás e poeira que gira até se achatar em um disco. Depois, pedras de tamanhos que vão de pedregulhos a objetos de quilômetros se juntam, em um processo chamado acreção. Essas pedras também giram dentro do disco maior.
Perto da estrela, segundo a fonte, surgem os planetas rochosos. Mais longe, os planetas recolhem o gás, o gelo e a poeira que a estrela não conseguiu evaporar.
Por que importa
A Universe Today diz que formação e evolução dos planetas são a força por trás de onde e como poderíamos achar vida fora da Terra. Segundo a fonte, até agora os pesquisadores só podiam visualizar o gás e a poeira que formam planetas por meio de modelos de computador.
A fonte lembra que a acreção é um dos grandes enigmas que os cientistas planetários tentam resolver sobre a formação dos planetas. Para a fonte, essa imagem pode ser o começo do entendimento do processo por trás da formação e da evolução dos planetas.
